Nem toda pessoa difícil é narcisista. A pergunta que importa é outra
Antes de tentar diagnosticar quem está do seu lado, olhe para o que a relação está fazendo com você. É esse o sinal que quase ninguém percebe a tempo.
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Quando foi a última vez que você falou exatamente o que estava sentindo, dentro do seu relacionamento, sem medo da reação do outro? Que discordou sem medir cada palavra? Que colocou um limite sem terminar o dia se sentindo culpada?
Se essas situações são raras na sua relação, isso é uma bandeira vermelha. E ela não depende de nenhum diagnóstico.
No episódio "Como saber se ele é narcisista ou apenas uma pessoa difícil", do podcast Psicologia na Prática, a psicóloga Alana Anijar desmonta uma confusão que tomou conta das redes sociais: a ideia de que toda relação que machucou foi uma relação com um narcisista. E propõe uma troca de pergunta. Em vez de "quem é essa pessoa?", a pergunta mais honesta é "quem eu estou me tornando dentro dessa relação?".
Neste artigo, aprofundamos cada ponto do episódio com as pesquisas que explicam por que essas relações prendem tanto e como a identidade se reconstrói.
Você saiu de uma relação e não sabe mais quem é? Ou está numa relação e sente que se perdeu no caminho? Reconstruir a própria identidade é trabalho de terapia, não de conteúdo. E começa com uma conversa.
Encontre sua psicóloga na Psi do Futuro →Os três grupos que a internet mistura num rótulo só
Basta um relacionamento terminar mal, ou alguém ter sido egoísta, manipulador, incapaz de admitir erros, e o rótulo aparece: "meu ex era narcisista". Quem nunca ouviu essa frase? Mas será que toda pessoa difícil com quem você se relacionou tinha, de fato, um transtorno de personalidade? Ou estamos usando um diagnóstico complexo para explicar qualquer relação que doeu?
No episódio, Alana separa o que a internet costuma juntar. São três grupos bem diferentes.
1. Pessoas com transtorno de personalidade narcisista
Esses casos existem, não são lenda. Mas são relativamente incomuns, e o diagnóstico envolve critérios específicos que precisam ser avaliados por um profissional qualificado. Não é algo que se conclui a partir de um vídeo na internet ou de uma discussão no fim de semana.
O maior levantamento epidemiológico sobre o tema, conduzido por Frederick Stinson e colegas com mais de 34 mil adultos nos Estados Unidos e publicado no Journal of Clinical Psychiatry em 2008, encontrou uma prevalência de 6,2% ao longo da vida para o transtorno de personalidade narcisista, maior entre homens (7,7%) do que entre mulheres (4,8%). Estimativas mais conservadoras, usadas pelo próprio DSM-5, ficam bem abaixo disso. Em qualquer cenário, a conta não fecha: o transtorno é muito mais raro do que o rótulo que circula nas redes.
2. Pessoas com traços narcisistas
Todo mundo tem traços de personalidade. Alguns são mais egoístas, outros lidam mal com crítica, alguns são explosivos, outros gostam demais de reconhecimento ou têm dificuldade de admitir erros. Esses traços existem em intensidades diferentes e, por si só, não significam que alguém tem um transtorno.
3. Pessoas que nunca aprenderam a se relacionar
Este é o grupo que, na experiência clínica de Alana, aparece com muito mais frequência do que os outros dois. São pessoas que cresceram em famílias onde ninguém conversava de verdade, onde conflito se resolvia no grito, onde pedir desculpa era sinal de fraqueza e demonstrar emoção era motivo de vergonha. Ou que passaram por abandono, rejeição, violência, e desenvolveram formas rígidas de se proteger.
Elas controlam, ficam na defensiva, respondem com ironia quando confrontadas, invalidam o que o outro sente. Machucam quem está do lado. Mas isso não significa um transtorno de personalidade. Significa que existem habilidades emocionais e relacionais que essa pessoa nunca desenvolveu.
Na maioria das vezes, não estamos falando de narcisismo. Estamos falando de pessoas emocionalmente imaturas.
Explicar não é justificar
Aqui é preciso cuidado. Entender de onde vem o comportamento do outro não é o mesmo que aceitá-lo. Compreender que alguém nunca aprendeu a reparar um conflito não te obriga a ser a pessoa que vai ensinar. Você não precisa entrar no lugar de quem salva. E não precisa permanecer em uma relação que te faz mal só porque agora entende a origem dela.
Existe uma diferença enorme entre explicar e justificar. Uma coisa é reconhecer a complexidade das relações humanas. Outra é usar essa complexidade como motivo para continuar se machucando.
E existe também o risco oposto, que preocupa Alana ainda mais do que a banalização do diagnóstico: a pessoa que acredita que só pode reconhecer o sofrimento que viveu se conseguir provar que o outro tinha um transtorno. Isso simplesmente não é verdade.
Você não precisa descobrir se alguém era narcisista para reconhecer que aquele relacionamento te fez mal.
A pergunta que diz mais do que qualquer diagnóstico
Independentemente de a pessoa ter um transtorno, ter traços narcisistas ou apenas uma forma muito disfuncional de se relacionar, existe um ponto em comum em todas essas situações. A pergunta mais importante continua sendo a mesma: como essa relação está me afetando?
Porque às vezes ficamos tão ocupados tentando descobrir quem o outro é que deixamos de perceber quem estamos nos tornando. E, para Alana, esse é o sinal mais importante de todos. Não é o diagnóstico. É o efeito que a convivência produz na sua autoestima, na sua autonomia, na forma como você passa a se enxergar.
Relações saudáveis também nos mudam. Elas costumam nos fazer crescer, sentir mais seguros, mais livres, mais confiantes, mais espontâneos. Quem já viveu uma relação assim percebe com facilidade: ela ajuda a pessoa a se tornar alguém melhor. Existem outras relações que fazem exatamente o contrário. Elas vão diminuindo, aos poucos, a liberdade de ser quem se é.
A ideia de que uma boa relação amplia quem somos tem nome na psicologia: é o modelo de autoexpansão, desenvolvido por Arthur Aron e Elaine Aron. Segundo o modelo, temos uma motivação básica para expandir o próprio self (nossos recursos, perspectivas e identidades), e as relações íntimas são a principal via para isso. A escala que mede esse fenômeno, publicada no Journal of Personality and Social Psychology em 1992, é usada até hoje. A leitura clínica é direta: uma relação saudável faz o seu mundo crescer. Quando ele encolhe, algo está errado.
Quatro mudanças que aparecem cedo, e passam despercebidas
Quem olha de fora costuma perguntar: "como ela deixou chegar a esse ponto?". A resposta é que ninguém deixa. Se a pessoa agisse daquele jeito nos primeiros encontros, a relação não teria ido para a frente. As mudanças são graduais, sutis, e é justamente por isso que passam. No episódio, Alana descreve quatro delas.
1. Você deixa de confiar na própria percepção
A pessoa sai das conversas mais confusa do que entrou. Ela tinha certeza do que aconteceu, mas depois de conversar com o parceiro já não sabe mais. Lembra de uma frase, o outro diz que nunca falou aquilo, que ela está ficando louca. Diz que ficou magoada, ouve que está exagerando, que é dramática demais.
Depois de ouvir isso muitas vezes, algo muda. Ela para de se perguntar "isso me machucou?" e passa a se perguntar "será que eu estou exagerando?". Parece pequeno. Não é. Uma das bases da saúde mental é confiar na própria capacidade de interpretar a realidade.
Esse mecanismo tem nome: gaslighting. A socióloga Paige Sweet, da Universidade de Michigan, publicou em 2019 na American Sociological Review a análise mais citada sobre o tema. A conclusão dela é que o gaslighting não é apenas um jogo psicológico entre duas pessoas: ele funciona porque o agressor mobiliza estereótipos, em especial o da mulher "louca" ou "histérica", para fazer a vítima duvidar do que percebe. É por isso que a frase "você é dramática demais" pesa tanto.
E aqui vale uma ressalva que Alana faz questão de deixar clara: mesmo que você seja uma pessoa muito sensível, mesmo que às vezes reaja mais do que a situação pedia, uma relação saudável não vai te fazer se sentir louca. Um parceiro que te ama pode dizer "não foi minha intenção, mas se você se sentiu assim, vamos trabalhar isso, porque eu me importo com o que você sente". A validação importa independentemente do tamanho do fato.
2. Você passa a pisar em ovos
Pensar muito antes de falar. Reler a mensagem várias vezes antes de enviar. Evitar certos assuntos, evitar discordar, evitar demonstrar descontentamento. Não porque isso seja natural para você, mas porque aprendeu que qualquer conversa pode virar uma discussão enorme.
Existe uma diferença entre isso e o cuidado normal de qualquer relação. Escolher o momento certo para uma conversa difícil, esperar o outro estar tranquilo e receptivo, falar de forma respeitosa: isso é maturidade, não medo. O problema é quando o monitoramento é constante, exagerado, e tem medo no meio. Quase nunca alguém disse "você não pode falar comigo assim". A pessoa apenas foi aprendendo, pela experiência, que ser ela mesma tem um custo alto.
3. Sua autoestima passa a depender do humor do outro
Quando o parceiro está bem, você sente alívio. Quando está irritado, você fica ansiosa. Quando elogia, está tudo bem. Quando critica, o mundo desmorona. Sem perceber, o centro emocional da sua vida deixa de estar dentro de você e passa a estar na reação do outro.
É como se o clima da relação fosse decidido por uma pessoa só, e a outra passasse o tempo inteiro tentando equilibrar. Você nunca sabe qual versão vai encontrar, nunca sabe se a conversa tranquila vai continuar tranquila. O corpo permanece em alerta. E viver em alerta cansa muito.
4. Você esquece quem era antes
Esta é, para Alana, a mudança mais dolorosa. Ela não acontece na relação, acontece dentro de você. Uma frase que ela ouve com frequência no consultório: "eu olho para as fotos antigas e pareço outra pessoa. Eu ria mais, tinha amigos, fazia planos, gostava de coisas que hoje nem lembro".
Relações destrutivas estreitam a vida. A pessoa para de sair, abandona hobbies, muda o jeito de se vestir, de falar, muda até de sonhos. Não porque o outro proibiu, mas porque aquilo foi deixando de caber na dinâmica. E quando a relação termina, a dor não é só de perder o relacionamento. É de perder a referência de si mesma.
Um estudo de Erica Slotter, Wendi Gardner e Eli Finkel, publicado no Personality and Social Psychology Bulletin em 2010 com o título "Quem sou eu sem você?", acompanhou pessoas após o término de relacionamentos. O resultado: o término reduz a clareza do autoconceito, ou seja, a sensação de saber quem se é. E foi justamente essa perda de clareza, mais do que a saudade, que previu o sofrimento emocional depois da separação. A frase "não sei mais quem eu sou" não é força de expressão. É um fenômeno medido.
Uma ressalva importante: se você teve um filho recentemente, mudou de cidade ou passou por outra transformação grande, esse "não me reconheço" precisa ser lido no contexto. Mas quando a única coisa diferente na sua vida foi a relação, e você marcou vários pontos acima, a resposta está bem na frente.
Se você marcou a maioria dessas perguntas, o trabalho não é descobrir quem o outro é. É recuperar quem você é. Na Clínica Psi do Futuro você encontra psicólogas especializadas em relacionamentos e autoestima.
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Essa pergunta machuca muita gente. Talvez alguém já tenha feito a você. Talvez você mesma tenha se feito. Ela parece simples, mas parte de uma ideia equivocada sobre como relações destrutivas funcionam: elas raramente começam destrutivas.
No início, e mesmo ao longo do caminho, existe carinho, conexão, admiração, promessas. Existem momentos muito bons. Ninguém permanece numa relação pelos momentos difíceis. As pessoas ficam porque conheceram uma versão daquela pessoa que parecia boa, amorosa, presente. E talvez até fosse. Quando essa versão começa a sumir, nasce uma esperança de que ela volte. Cada momento bom vira uma confirmação: "viu? ainda existe a pessoa por quem me apaixonei, talvez seja só uma fase".
Esse movimento é muito estudado. Em 1957, Charles Ferster e B. F. Skinner demonstraram, na obra Schedules of Reinforcement, que um comportamento recompensado de forma intermitente e imprevisível é muito mais resistente a se extinguir do que um comportamento recompensado sempre. É o mesmo princípio que prende alguém à máquina caça-níquel.
Em 1981, os psicólogos Donald Dutton e Susan Painter aplicaram esse princípio às relações abusivas e cunharam o termo vínculo traumático (traumatic bonding): quando afeto e sofrimento se alternam de modo imprevisível, e existe desequilíbrio de poder, o apego pode se tornar mais intenso, não menos. Em 1993, os mesmos autores testaram a teoria com mulheres que haviam deixado relações violentas e confirmaram que esses dois fatores, intermitência e desequilíbrio de poder, previam a força do vínculo.
Há ainda um segundo fator. Ninguém entra numa relação destrutiva completamente vulnerável, mas pode sair dela muito mais vulnerável do que entrou. Ao longo do tempo, a autoestima diminui, a confiança diminui, a autonomia diminui, a rede de apoio diminui. E quando tudo isso fica menor, imaginar uma vida fora da relação fica muito mais difícil.
A pergunta mais humana não é "por que ela não saiu?". É "o que aconteceu para que sair parecesse tão difícil?".
A primeira pergunta gera culpa e acusação. A segunda abre espaço para compreensão. E é a compreensão, não o julgamento, que ajuda alguém a se mover.
Como reencontrar quem ficou para trás
Se você se identificou até aqui, talvez tenha uma pergunta pulsando: "como eu volto a ser quem eu era?". Alana responde com cuidado. Na maioria das vezes, o objetivo não é voltar a ser quem você era. É construir uma versão de si mesma que não precise mais abandonar a própria identidade para ser amada.
E há uma reformulação importante. Quem viveu uma relação assim costuma acreditar que perdeu a própria essência. Mas a identidade não desapareceu. Ela ficou escondida debaixo de muitas adaptações: falar menos, discordar menos, esconder sentimentos, pedir desculpa por existir, ocupar cada vez menos espaço. Por muito tempo, essas adaptações fizeram sentido. Eram uma tentativa de proteger a relação.
Quando repetimos um comportamento por muito tempo, ele deixa de parecer estratégia e começa a parecer quem somos.
Por isso tanta gente diz que não sabe mais quem é. Na verdade, sabe muito bem quem aprendeu a ser para sobreviver. O que ainda não reencontrou é quem é quando não precisa mais só sobreviver. Isso é um processo, não um insight de fim de semana. Assim como você não se perdeu de um dia para o outro, também não vai se reencontrar de uma vez. No episódio, Alana descreve quatro movimentos que fazem diferença nesse caminho.
1. Voltar a confiar na própria experiência
Durante muito tempo você aprendeu a desconfiar do que sentia. Ouviu que estava exagerando, que era egoísta por colocar limite, que pedia demais. Aos poucos, deixou de se perguntar "como eu estou me sentindo?" e passou a se perguntar "será que eu deveria me sentir assim?". O primeiro movimento é inverter isso: voltar a nomear as emoções, reconhecer as necessidades, confiar no que você percebe nas relações.
2. Reconstruir a autonomia
A relação estreitou a sua vida. Recuperar a identidade passa por alargá-la de novo: retomar atividades que faziam sentido, reencontrar pessoas, descobrir interesses novos, criar memórias que não estejam ligadas àquela relação. A identidade também se constrói pelas experiências que vivemos, não só pelo que pensamos sobre nós.
3. Colocar limite sem culpa
Esta costuma ser a parte mais difícil, porque para muita gente dizer "não" ativa um medo profundo de rejeição. Aqui vale uma distinção que Alana repete: sentir culpa não significa que você fez algo errado. Muitas vezes significa apenas que você está fazendo algo diferente do que sempre fez, e isso gera desconforto. O desconforto não é sinal para voltar atrás. Na maioria das vezes, é sinal de crescimento. E ainda que a culpa apareça, ela é um preço baixo pela paz que vem depois.
4. Deixar que outras pessoas vejam quem você é
Quem passou muito tempo nessa dinâmica desenvolve o hábito de esconder necessidades, minimizar emoções, resolver tudo sozinha. Para recuperar a identidade, é preciso voltar a construir vínculos onde você não precise se explicar o tempo inteiro, nem provar constantemente que merece ser amada.
Quando a boa vontade não basta
Existem feridas profundas demais para serem reconstruídas só com boa vontade e conteúdo. Quando a percepção da realidade foi enfraquecida por muito tempo, quando a autoestima foi desmontada aos poucos, quando você já não confia nem nos próprios sentimentos, fazer esse caminho completamente sozinha é muito difícil.
É aí que a terapia se torna um espaço tão importante. Não porque a psicóloga vai dizer quem você é, mas porque ela vai ajudar a retirar, pouco a pouco, as camadas que foram construídas para você sobreviver. Na terapia, você aprende a identificar padrões que antes pareciam naturais, a reconhecer crenças que foram sendo construídas ao longo da relação, a diferenciar culpa de responsabilidade, medo de perigo, amor de dependência. E começa a experimentar novas formas de se relacionar consigo mesma e com os outros.
A terapia não devolve a identidade de imediato. Ela cria um espaço seguro para que essa identidade possa aparecer de novo. E chega um momento em que a paciente diz: "voltei a gostar das coisas que eu gostava. Consegui dizer não. Tomei uma decisão pensando em mim sem me sentir um monstro. Comecei a confiar de novo no que sinto". Mudanças que parecem pequenas e representam algo enorme: a pessoa deixou de viver só tentando sobreviver.
Então, para fechar, a pergunta que talvez tenha trazido você até aqui: como saber se está vivendo uma relação com um narcisista? Depois de tudo isso, você já sabe que essa não é a pergunta mais importante. A mais importante é: quem eu me tornei, ou estou me tornando, dentro dessa relação? Eu ainda confio na minha percepção? Ainda consigo expressar opinião sem medo? Ainda me sinto livre para ser quem sou? Ou passei a viver tentando prever o humor do outro, medindo palavras, deixando partes de mim para trás?
Relações saudáveis também têm conflito, diferença, momentos difíceis. Mas existe uma característica que faz toda a diferença: mesmo depois de um conflito, você continua conseguindo reconhecer quem você é. Continua tendo voz, tendo espaço, sendo tratada com respeito.
O amor não deveria fazer você desaparecer. Ele deveria fazer você se sentir segura, crescendo e sendo quem você é.
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Referências
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